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quinta-feira, 3 de abril de 2008






objectivos objectivos objectivos objectivos

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Esta palavra não me sai da cabeça....



sábado, 29 de dezembro de 2007


Balanços e Balancetes


Diz o povo que “de médico e de louco todos temos um pouco”. Acrescento eu que de professor, juiz, primeiro-ministro, treinador de futebol e outras tantas profissões também. Basta ver a forma escorreita, e com autoridade, como opinamos sobre assuntos que pertencem a áreas específicas.
Quando se aproxima o fim do ano revela-se o competente contabilista que existe em cada um de nós. Não há jornal, revista ou canal televisivo que não apresente o seu balanço através de um “especial 2007”, “2007 em revisão” ou… confesso que não tenho estado muito atenta à nomenclatura.
Em conversas informais com familiares e amigos surge, também, o balanço de cada um. Além de não lhe encontrar qualquer utilidade, este hábito tem o condão de me irritar.
Também eu já tive a vocação de contabilista. Tinha 14 ou 15 anos quando conheci os balanços e balancetes e desenvolvi por eles uma paixão intempestiva. Dediquei-me ao seu estudo com extraordinário afinco e interesse, surpreendendo o professor de contabilidade que, sem dúvida, vivia da contabilidade mas não para ela.
Encontrava-me, ainda, em estado de fervorosa paixão quando fiz os testes de orientação profissional que me encaminharam para a área contabilística.
Desrespeitei as indicações. A contabilista que vivia em mim desvaneceu e não voltei a fazer um balanço de espécie alguma.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Dez 06 – 87 mortes nas estradas

Alerta-nos o ecrã luminoso na auto-estrada.
É assustador. Sei que quando o leio, quase inconscientemente, coloco o pé no travão.
Mas sei, também que eu e os outros condutores continuamos a pensar que não é nada connosco. Que não faremos parte dos números que serão apresentados no próximo ano. Não nos parece possível.
Todas as viagens têm um destino. Há alguém que nos espera… A reunião a que não podemos faltar… O nosso prato preferido confeccionado carinhosamente para nós… A ceia de Natal… As prendas que ainda não entregámos… O trabalho que tem de ser concluído dentro do prazo estabelecido… Aquele espectáculo para o qual já comprámos o bilhete… O telefonema que prometemos fazer… Projectos para o novo ano…

O facto de termos planos dá-nos uma falsa segurança. Julgamo-nos indispensáveis e insubstituíveis e achamos que o nosso telefone nunca vai deixar de nos ter do lado de cá prontos a responder.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007



cartas

Hoje recebi duas cartas. Cartas mesmo. Daquelas de papel, em que para abrir e ver o seu conteúdo temos de descolar o envelope, com muito cuidado, ou rasgá-lo deixando nele as marcas da nossa impaciência. Daquelas cartas em que não é preciso clicar numa tecla para abrir e que podemos guardar numa caixa de recordações ou amachucar, rasgar e deitar fora em vez de fazer “delete”.

Uma delas era, esteticamente, muito bonita. Tinha um envelope azul, de um bom material, e, dentro do mesmo, um cartão impresso de muito bom gosto. Tratava-me por “Estimada Sra. Dra.”; utilizava vocabulário muito cuidado e requintado; desejava-me as boas festas em várias línguas e despedia-se simulando uma sinceridade que me incomodou. Nada foi descurado e, por isso, para dar um ar mais pessoal, o último cumprimento e a assinatura estavam manuscritos a tinta azul.

A outra carta era um envelope feito pelo remetente, de papel pautado. Tinha fita-cola à vista e era ligeiramente assimétrico. No interior, tinha uma folha de caderno diário dobrada em quatro; estava manuscrita numa caligrafia arredondada e sem erros ortográficos; tratava-me por “Querida Professora”; não me desejava boas festas noutra língua que não fosse a portuguesa; usava vocabulário pobre e repetitivo. Mas foram palavras escritas, da melhor forma possível, para mim.

A carta azul de boa qualidade e palavras caras já foi colocada no papelão. O envelope de papel pautado com a folha de caderno e as suas palavras, simples mas doces, ficaram numa caixa para quando precisar de me recordar que ainda há crianças que fazem todos os quilómetros percorridos valer a pena.




quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Quando se tenta, por todos os meios, convocar um Encarregado de Educação e, finalmente, se consegue marcar uma reunião espera-se encontrar de tudo: pais que desconfiam dos professores, da escola, do sistema de ensino, do governo e do mundo em geral sempre que não lhes elogiem os seus rebentos e os não vejam com o mesmo olhar embevecido com que eles os vêem; ouvir a história pormenorizada de todos os elementos da família, até o tio-avô que esteve emigrado em França muitos anos; ver as receitas médicas ou as caixas de antidepressivos e ansiolíticos que a mãe toma diariamente; assistir à comparação que é feita do aluno em relação aos irmãos, primos e vizinhos; a responsabilização do pai, da sogra, da “professora primária” por tudo o que de negativo tenha ocorrido ou possa ocorrer no próximo século; a confissão da incapacidade de os auxiliar nos estudos ou de os educar; ouvir a frase recorrente “eu não sei o que lhe hei-de fazer!”.
Há, também, os pais que julgam terem sido convocados porque o filho cometeu algum delito muito grave ou, numa versão mais popular “fez m****”, como me foi dito com todas as letras e sem asteriscos.
Até ontem, nenhuma mãe me tinha dito que dava o filho se alguém o quisesse e muito menos me tinha sido sugerido que ficasse com ele por achar que eu seria a mãe que ele precisava. Nunca me ocorrera que poderia entrar na escola sem filhos e sair de lá com um filho adolescente nos braços.
Por vezes, julgo que me arrependi de ter conhecido esta mãe. Sentia-me mais feliz e mais leve enquanto ignorava o ambiente familiar desta criança. Sentia-me mais segura quanto à minha imparcialidade e quanto ao que lhe exigia em termos de empenho e postura presente e participativa. Não entendia, como entendo agora, que aquela criança evite falar com os pais nem que seja para lhes pedir que assinem um documento, muito menos para lhes pedir uma opinião ou ajuda; não entendia como entendo agora, que tantas vezes esteja ausente porque precise refugiar-se num mundo imaginário que criou para si, fugindo à realidade em que vive.
Mais uma vez, terá de ser a escola a cumprir o seu papel e também aquele que a família não consegue assumir. Mais uma vez, os impedimentos burocráticos farão com que o acompanhamento seja feito apenas com a boa-vontade e disponibilidade pessoal dos professores que, na sua maioria e por enquanto, não vivem apenas a pensar em níveis de sucesso e itens de avaliação e conseguem ver cada aluno como uma pessoa com características próprias e que pretendem ajudar a melhorar enquanto tal.

terça-feira, 27 de novembro de 2007


A propósito dos presentes de Natal ...


Não há dúvidas de que a relação que temos com os objectos é pessoal, distinta e bastante variável. Por vezes, pergunto-me se, nas novas gerações, os jogos de PlayStation, os telemóveis e os leitores de mp3 terão para os seus possuidores uma história como tem para mim cada uma das minhas bonecas, das minhas caixas e dos meus livros. No conjunto, perfazem um número bastante razoável mas são raros aqueles de que não me recordo como me vieram parar às mãos. São para mim muito mais do que simples objectos. Reportam-me para épocas, momentos, locais, pessoas, histórias. São pedaços de mim.
Em relação aos jogos de PlayStation tenho pouco a dizer, pois nas pouquíssimas tentativas (e pouco esforçadas, devo confessá-lo) que fiz fui vergonhosamente derrotada por uma criança.
(Silêncio para recuperar da frustração…)
Já no que se refere ao telemóvel não nego que me vale por uma vida e que poder fazer podcast dos meus programas de rádio preferidos para ouvir no iPod, quando tenho oportunidade, me dá imenso prazer. No entanto, não consigo estabelecer com estes objectos a mesma relação de afecto (unilateral, ok! Reconheço…) que tenho com “os outros”, “os meus”.
Estranhamente, esta relação de desapego acontece-me, também, relativamente aos CDs e DVDs, salvo algumas honrosas excepções, apesar de atribuir muita importância à música e ao cinema por conterem em si histórias e emoções capazes de me (sur)pre(e)nder.
Ao pensar nesta questão, apercebo-me de que muitas vezes nos esquecemos (ou não compreendemos) que aquilo que para uma pessoa é apenas um objecto, com maior ou menor utilidade e facilmente substituível por outro semelhante, mais moderno ou mais funcional, é para outra uma parte do seu mundo e, por vezes, indispensável à sua estabilidade, parte integrante do seu crescimento e da sua história de vida.
Nestes tempos de consumismo desmesurado e de prazeres imediatos, receio que se perca esta afectividade em relação ao que, embora podendo ser material, faz e é parte de nós.

domingo, 11 de novembro de 2007



Para mim, castanhas assadas não são sabor, são cheiro.
São cheiro, imagem, som e tacto. E ambiente.
São tardes frias de Inverno, casacos quentes, camisolas de gola alta e cachecóis de lã.
São ruas de cidades cheias de gente, passeios ao anoitecer, mãos e narizes gelados.
São o crepitar característico do assador de castanhas.
São as vozes que me rodeiam ou as músicas de Natal.
São sorrisos e gargalhadas. São surpresas.
São embrulhos feitos de páginas de listas telefónicas ou de notícias passadas que me aquecem as mãos e a alma.



Fotografia de Pedro Vasconcelos

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

L.

Parecia-me feliz. Não é. A ausência de mau humor deve-se à boa educação ou ao, ainda, pouco à-vontade.
Parecia-me integrado. Não está. Os colegas limitam-se a empurrar a cadeira, abandonando-o, em seguida, para ir fazer uma qualquer outra actividade que lhe está vedada.
Questiono-me sobre o papel que a escola deve ocupar na vida de um jovem com graves limitações de mobilidade e que sofre de uma doença degenerativa. Será pertinente gastar a mobilidade que ainda resta em aulas de recuperação para entender o que são articuladores/conectores completivos, palavras derivadas por parassintetismo ou um sujeito nulo expletivo? O tempo que se despende a compreender os heterónimos de Fernando Pessoa ou caracterizar a Blimunda de Saramago será mais importante do que aprender ou desenvolver uma actividade que vá de encontro aos próprios interesses e que possa proporcionar algum prazer?
Cada vez que exijo a realização de uma tarefa, sinto-me um carrasco e acho que o tempo seria mais útil e bem aproveitado se passado a conversar, a rir, a apanhar sol, sentir o vento no rosto ou construir histórias imaginárias a partir dos desenhos das nuvens.
Esforço-me para esconder o constrangimento que me provoca assistir à dificuldade em conseguir encontrar um local onde se possa trabalhar numa escola que se diz inclusiva mas que é construída a pensar, apenas, em alunos “normais” ou a impossibilidade de fazer uma pesquisa na biblioteca escolar ou municipal por ambas se encontrarem no 1ºandar.
Deixei-me apanhar na teia da pena e sei que, agora, o trabalho que devo desenvolver poderá ser prejudicado. Mas aos dezoito anos corremos atrás dos sonhos e empurramos o mundo. Não é justo que se fique sentado à espera do que lhe está reservado, sendo empurrado por quem resolve fazer a boa acção do dia.

domingo, 23 de setembro de 2007



Da memória...

A memória fascina-me. Ou para ser mais precisa, sinto um fascínio pela forma como usamos a memória… ou ela nos usa.
Intriga-me a forma como, inconscientemente, seleccionamos o que recordamos e a forma como o mesmo acontecimento ou momento é armazenado de forma diferente por cada um de nós; as memórias que construímos e assumimos como nossas e que se baseiam no que nos relatam, que chegam até nós ou que imaginamos.
É comum duas ou mais pessoas conversarem sobre a mesma situação recordando aspectos diferentes que se nuns casos se completam noutros colidem parecendo situações distintas.
Ainda não consegui decidir como classificar a minha memória.
Sou tantas vezes incapaz de recordar com clareza o enredo de um filme ou um livro, uma anedota, adivinha ou lengalenga, um nome ou um rosto, um local que visitei ou onde guardei um documento importante. Por outro lado, recordo datas, detalhes, expressões, cheiros, palavras ou diálogos completos com extrema precisão e nitidez.
Julgo que este “fenómeno” não será um exclusivo meu e exactamente por isso olho para a Memória como algo com personalidade própria e que me merece todo o respeito e admiração.
Sei que me seria mais proveitosa uma memória inteligente que guardasse as recordações/informações que me podem ser úteis e deitasse fora as que apenas ocupam lugar sem me trazer benefícios. Mas também sei que a maior parte de mim assenta sobretudo sobre estas segundas.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007


Momento revelador

Há momentos assim… De repente, vemos que andámos enganados durante anos e num segundo de conhecimento a percepção que temos dos outros e do mundo transforma-se.
Passei por esse fenómeno ao ler a Pública desta semana, há poucas horas.
E que descobri eu de tão importante?
Existe uma fobia que se designa por sofofobia e que consiste no medo de aprender… Isso explica tanta coisa!
Por essa razão, semipublicamente, peço desculpa a todos aqueles que, injustamente, denominei de preguiçosos, apáticos, desinteressados e desprovidos de curiosidade. (mesmo aqueles que não podem ser medidos por esta nova bitola)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007



futuro próximo


Se as webcam e o skype não nos salvarem, receio que num futuro próximo sejamos incapazes de verbalizar, o que quer que seja, para comunicarmos entre nós.
Conhecemos os amigos nos chats e é também aí e no Messenger que convivemos com eles, flirtamos e namoramos. Sabemos os hábitos, preferências, opiniões e últimas notícias sobre os nossos familiares e amigos consultando o hi5, os blogues ou os espaços pessoais no myspace.
Os telefonemas são muitas vezes substituídos por sms, havendo kits que permitem um envio monstruoso de mensagens diárias.
Informações mais detalhadas, notícias ou curiosidades são enviadas por email e deixámos de ter um ouvido com quem partilhar a primeira gargalhada espontânea ao aprender uma nova anedota.
Quando nos deslocamos em viatura própria, abastecemos num posto self-service, havendo a possibilidade de fazer o pagamento com cartão, ainda na bomba. Levamos o GPS que numa voz autoritária nos ordena, com rispidez militar, o caminho a seguir e deixa de ser necessário encontrar um autóctone com sentido de orientação e disponível para dar a informação pretendida.
No local de trabalho não vamos ao bar e optamos pelo café, a água, as sandes e os chocolates da máquina colocada junto à escadaria.
Podemos almoçar sem ter de abrir a boca, excepto para degustar a iguaria escolhida, num restaurante (também ele) self-service em que, à entrada, nos apontam o cartão como se de uma arma se tratasse. Quando nos dirigimos à caixa, olhamos para o valor indicado na máquina registadora e colocamo-lo na mão estendida do empregado que, muitas vezes, nem profere um qualquer som gutural que simule ser um cumprimento.
Comportamento semelhante temos, e têm para connosco, quando vamos ao supermercado ou a uma grande superfície, compramos roupas ou livros. Podemos, ainda, optar por fazer todas as compras online e, nesse caso, não só poupamos a voz como também, evitamos cruzar-nos in loco com qualquer espécime humano.
Para nos mantermos informados, retiramos o jornal de distribuição gratuita, depositado numa caixa à entrada do metro, ou recebemo-lo num semáforo, entregue por uma mão sem rosto e sem voz. Para os mais sedentos de informação, existe a possibilidade de consultar as edições online ou ainda proceder à assinatura mediante um pagamento.
Tratamos da nossa situação económica e fiscal ou do pagamento de contas através de um Multibanco ou da Internet.
É, também, a partir de casa que navegamos nos sites que nos permitem comprar bilhetes para assistir ao mais variado tipo de espectáculo ou ir ao cinema. Com o código atribuído basta dirigirmo-nos a uma máquina ou à bilheteira onde o trocamos pelo bilhete de ingresso no espectáculo desejado.

Passamos, desta forma, um dia “normal”, com uma vida “normal” de convívio, trabalho e entretenimento, sem necessitar proferir mais do que dois ou três monossílabos ou, em situações mais graves, nem isso.
Se o corpo do Homem tem a capacidade de se adaptar ao meio e circunstâncias envolventes, seremos em breve “humanos” com dedos quadrados e achatados que apenas serão capazes de, com um certo esforço e desagrado, emitir alguns grunhidos.







domingo, 26 de agosto de 2007


sobre.... a insignificância


Regressar a um local que outrora conheci, e abandonei durante anos, tem o condão de me dar a saber a medida exacta da minha insignificância.
Quando, à chegada, avisto a degradação dos prédios que já então ameaçavam ruir, a cal branca quase ausente das paredes ou a calçada gasta pelos transeuntes penso que nada mudou (Claro que não! Quem se atreveria a fazer alterações na minha ausência?!).
Decido, então, visitar os espaços que era “os meus” e, por momentos, inverter o sentido dos ponteiros do relógio.
Na cafetaria que servia uma bica deliciosa, em vez de expositores com inúmeras variedades de chás e cafés, existem agora folhetos com imagens de praias, monumentos e camelos a caminhar, resignadamente, no deserto. O sorriso da nova empregada já não vende bons momentos com sabor a café mas promessas de férias inesquecíveis.
A pequena tasca, muito modesta mas com comida caseira deliciosa e em conta, onde o sorriso da proprietária e cozinheira era o acompanhamento perfeito, deu lugar a mais uma casa de pizas, hambúrgueres, sandes e afins, servidos a velocidade de cruzeiro por empregados–robô que atendem sem olhar para o cliente.
Na livraria, caríssima mas com uma oferta fabulosa, já não podemos encontrar o conforto que só o papel e uma belíssima história oferecem e encontramos, agora, sonhos de betão a preços exorbitantes.
Os rostos que se cruzam comigo na rua são outros… Quando revejo algum que reconheço, apesar das incontornáveis marcas do tempo, apetece-me agradecer-lhe por se manter no mesmo lugar e perguntar-lhe o que aconteceu, quem permitiu que o tempo passasse por ali sem me consultar…




segunda-feira, 23 de julho de 2007



Plano Tecnológico da Educação

“O Plano Tecnológico da Educação, que vai ser apresentado hoje, prevê que cada sala de aula tenha um computador, uma impressora e um projector, num investimento que ultrapassa os 400 milhões de euros. (…)A partir do próximo ano lectivo, começará também a ser instalado um quadro interactivo por cada três salas de aula e generalizados o cartão electrónico do aluno e os sistemas de alarme e videovigilância (…)Outro dos objectivos, mas para 2010, é ter dois alunos por cada computador com ligação à Internet de banda larga.” Público, 23/07/2007 continuação

Estas brilhantes decisões recordam-me as soluções para todos os problemas encontradas pelos pais muito ocupados e ausentes: não se escuta, não se tentam resolver os problemas de base e tudo se resolve com o recurso a prendinhas, utilizando o dinheiro para comprar aquilo que se vê e pode promover a admiração de terceiros pelo investimento feito.
Para quem não conheça as escolas portuguesas, é preciso recordar que nas salas de aula falta espaço para instalar os 28 ou 30 alunos que constituem uma turma. Recordo, também, que nessas condições falta aos professores tempo para dar oportunidade a todos os alunos de intervir, questionar, praticar o que se aprendeu e recolher o feedback do trabalho realizado.
Sra. Ministra, recorda-se da dificuldade que teve em fazer-se ouvir no Parlamento, em Julho do ano passado, perante um grupo de adultos que, supostamente, quereriam ouvir o que tinha para dizer? (Foi vergonhoso, entendo que tenha apagado esse momento da sua memória) Imagine-se, pois, a transmitir um conteúdo programático (nem sempre interessante, há que admitir) perante 28 ou 30 crianças ou adolescentes que prefeririam estar a jogar à bola ou playstation…
Bem sei que se deve evitar a mera transmissão de conhecimentos mas nem sempre é possível fazer mil e um malabarismos que permitam aos 28 ou 30 alunos a fantástica descoberta do conhecimento.
Desnecessário será dizer que com esse elevado número de alunos é impossível apoiar os que têm mais dificuldades de aprendizagem. Mas “apoiar os alunos com dificuldades de aprendizagem” deve ser uma expressão que deixou de fazer sentido pois, além das alterações e cortes que houve ao nível do ensino especial, as aulas de apoio educativo e de recuperação deixaram de pertencer à componente lectiva dos docentes, fazendo, assim, supor que “aquilo” é só para encher horário e não carece de preparação prévia.
Mas já sabemos que no seu ministério e no seu governo, em geral, as pessoas não interessam, o que interessa mesmo é a tecnologia! Vamos a isso, então!
Sra. Ministra, em muitas escolas (inclusive em algumas referidas por si como exemplares) as impressoras existentes passam grande parte do ano sem tinteiro e as folhas utilizadas na impressão são compradas pelos docentes que também pagam muitas (ou a totalidade) das fotocópias que distribuem aos seus alunos. Há leitores de CDs que só funcionam com uma pedra sobre a tampa (!) e leitores de DVDs que estão eternamente avariados. Faltam cabos, fichas e tomadas para ligar os computadores, que permanecem mortos em cima das secretárias, e quando há uma pequena avaria não há dinheiro para mandar arranjar, ficando dependente da boa vontade dos amantes do bricolage e dos arranjinhos temporários que se conseguem. Os quadros interactivos não passam, muitas vezes, de elementos decorativos nas salas de aula porque para aprender a utilizá-los e fazer os respectivos flipcharts com os conteúdos a leccionar é preciso tempo, muito tempo. Tempo esse que o seu ministério entendeu que devia ser utilizado de forma mais nobre do que na actualização de conhecimentos e na preparação de aulas (pelos vistos uma actividade menor) e resolveu, por isso, presentear os professores com a sublime tarefa de “olhar pelos meninos”. Assim, o professor de História “toma conta dos meninos” em caso de ausência do colega de Ed. Física e o de Língua Portuguesa faz o mesmo com os do colega de Matemática, dizendo-lhes apenas “resolvam as actividades propostas pelo vosso professor e se tiverem dúvidas apresentem-nas quando ele voltar”.
Sou a favor da utilização de novas metodologias no ensino, inclusivamente das novas tecnologias, e penso que a Internet e o quadro interactivo podem ser utilizados com óptimos resultados. Mas o excesso assusta-me.
A escola tem de continuar a ser a escola e não deve querer assemelhar-se a uma nave espacial onde tudo é feito e controlado através de câmaras, botões, máquinas, cartões, códigos e chips. Uma sala de aula é, e deve continuar a ser, diferente de um cibercafé. As aulas tradicionais com papel, giz e quadro preto também fazem falta ao sistema de ensino e devem ser valorizadas na medida em que nos recordam que, mais do que a forma, o conteúdo é o fundamental. É, também, muito importante que se continuem a usar dicionários, enciclopédias, livros e revistas para a realização de trabalhos em vez de se promover a realização de trabalhos instantâneos: google – search – done!

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Os profissionais do ombro amigo

Há um determinado tipo de seres acerca dos quais é muitas vezes dito serem generosos e disponíveis, pois estão sempre dispostos a ceder o seu ombro para aparar a lágrima alheia. Mas não o fazem desinteressadamente para ajudar os amigos, as pessoas por quem sentem algum afecto ou simplesmente por generosidade para com os (des)conhecidos. Não. Fazem-no por orgulho, para preencherem as suas vidas com as vidas dos outros, para se sentirem necessários, por quererem que os outros lhes reconheçam essa bondade que afinal não existe.
Dedicam-se a esta tarefa de forma quase profissional e, muitas vezes, descuram aqueles que lhes estão próximos porque não estão dispostos a perder o seu tempo com acções que não lhes dêem a visibilidade que anseiam. Eu designo-os por profissionais do ombro amigo.
Oferecem sempre os seus préstimos aos deprimidos crónicos, aos inseguros patológicos, aos infelizes com mania de perseguição, aos coleccionadores de infortúnios. E é com o mesmo afinco e algum desprezo e rancor que se afastam dos felizes, seguros e lutadores.
Indignam-se com os optimistas mas, sobretudo, com os que na sua perspectiva reúnem as condições para adoptar uma postura do “coitadinho” e alugar o seu ombro por tempo indefinido e não o fazem.
Parecem-me abutres sempre à procura de presa e quando estão entre familiares e amigos, ou no almoço com os colegas, contam as suas glórias que mais não são do que o reconto dos problemas dos outros, a enumeração dos conselhos que deram, das lágrimas que secaram, das palavras caridosas que proferiram, as horas dispensadas com o “coitado, se não fosse eu…”
Fujo deles como o diabo da cruz e quando, inadvertidamente, deixo transparecer alguma tristeza ou preocupação e me aparece um destes profissionais disposto a oferecer os seus serviços gratuitos, procuro uma réstia de energia que me permita esboçar um sorriso e dizer “está tudo bem, é apenas cansaço”. E o abutre sem presa, após insistir um pouco para obter a confirmação, afasta-se amaldiçoando-me por não lhe ter permitido entrar em acção e aumentar o seu currículo quase-profissional.



quarta-feira, 4 de julho de 2007

a planície e as serras


Quando faltam dez p’rás sete na planície, nas serras são sete menos dez.
Na planície o sol acorda e revela-se por inteiro. Nas serras espreita lá no cume e começa a descer lentamente pela encosta, criando uma paleta de cores variadas.
Enquanto sigo pela estrada em linha recta, o pensamento liberta-se e usufruo da paisagem que se perde de vista na planície dourada. Já nas serras, o percurso ondulante e o verde imponente têm um efeito inebriante.
As manhãs de Domingo, na planície, são calmas e quase desertas enquanto que, nas serras, o silêncio dominical é quebrado pelo burburinho das famílias que se dirigem para a igreja, onde cumprem o dever de ouvir as sábias palavras do pároco da aldeia.
Fiquei a saber que existem dois fins de mundo, pois em ambos os locais me falam do outro: aquele de onde vim ou para onde vou.
Distraidamente, apaixonei-me pelas palavras e expressões regionais e uso-as com a mesma naturalidade com que calço as sapatilhas para ir comprar padas ou uma nata na padaria que fica mesmo à beira da minha casa. Na planície vou à da minha irmã e juntas tomamos uma bica enquanto confesso que na hora de abalar acho sempre que o tempo não foi avondo para matar as saudades.







segunda-feira, 2 de julho de 2007

É notícia, não é? Bora lá, Maria!

Ao que parece, a primeira semana de existência do Museu Berardo tem sido um êxito ao nível do número de visitantes. Em Janeiro, quando a Gulbenkian expôs obras de Amadeo de Souza-Cardoso, obteve, também, um elevadíssimo número de visitas, principalmente nas últimas quarenta e oito horas.
Se os Portugueses acorrem em massa às exposições é porque são amantes da arte, certo? Errado!
Acorrem em massa às exposições tal como se esfalfam para estarem presentes na abertura do túnel do Marquês, na primeira viagem do comboio da Fertagus ou na inauguração da Ponte Vasco da Gama. Em menor número mas, ainda assim, em números bastantes significativos, também comparecem à entrada dos tribunais em dias de julgamento dos homens da bola, serial killers ou qualquer anónimo que cometa um crime digno de destaque. Marcaram presença em Penafiel para ver (…com todo o direito e indignação…) a criança entregue aos pais após um ano e, mais recentemente, deslocam-se em romaria à praia da Luz para ver os locais de que se fala a respeito do desaparecimento da menina britânica.
Os Portugueses são amantes do mediatismo. É notícia? Abre blocos informativos? É comentado pelos amigos do café ou pelos clientes do talho? Então estão lá!
Alguns fazem-no para poderem ser olhados com inveja pelos amigos que (… coitados…) apenas tiveram oportunidade de ver umas imagens na tv ou uma foto no jornal. Outros porque querem juntar mais uma inauguração ou mais um acontecimento importante à sua extensa colecção e dedicam-se a essa árdua tarefa com todo o empenho e sacrifício que actividade tão nobre exige. Em determinado tipo de evento há, ainda, os que vão porque fica béim, tá a ver???
Parece-me claro que um amante de pintura não deixaria para visitar uma exposição de dois meses no último dia (sim, mesmo sendo português…), tal como não quererá partilhar a experiência e o prazer de apreciar a colecção Berardo com milhares barulhentos… a menos que, contrariamente ao que teorizava Baudelaire, não sejam assim tão poucos os que têm a capacidade de “jouir de la foule”

PS - Senhores Coleccionadores: no próximo dia 8 tem lugar a festa de inauguração da Ponte da Lezíria. Obrigatória para profissionais!



domingo, 1 de julho de 2007

encosta-te a mim


Esta música é, simplesmente, linda! Para ouvir, ouvir, ouvir....


terça-feira, 26 de junho de 2007

Incompatibilidades


Fui sempre uma criança obediente e ainda hoje sou, geralmente, uma adulta bem mandada. Mas devo confessar que tenho uma total incompatibilidade com agentes da autoridade.
Quando um agente da autoridade me interpela e me diz com um misto de mal disfarçada felicidade e de informação paternalista “A senhora condutora tem aqui um problemazito…” eu devia procurar a minha voz mais doce e perguntar inocentemente “A sério, senhor guarda? Eu peço imensa desculpa, mas é que … (espaço para uma qualquer patranha adequada à situação)” mas em vez disso, respondo insolentemente “Já vi que está com vontade de me multar. Vá, diga lá o que é que conseguiu encontrar…” E, obviamente, em poucos segundos, sou informada da quantia a desembolsar.
Sofro, também, de uma incompatibilidade profunda com os imbecis que, sem qualquer necessidade, estacionam nos lugares reservados a deficientes apenas porque, por razões óbvias, se localizam mais próximo da entrada. Apetece-me insultá-los e fazer-lhes notar a sua falta de: civismo, educação, respeito, sensibilidade e o excesso de: estupidez, egoísmo, arrogância, desrespeito. Consigo controlar-me e não fazer mais do que olhar fixamente para a viatura estacionada e para a sinalização numa tentativa (frustrada) de lhes dar a entender o disparate que fizeram. Mas este tipo de condutor não costuma ter inteligência que lhe permita entender estas subtilezas. A vantagem desta minha segunda incompatibilidade é que me é menos dispendiosa do que a primeira, pois, caso contrário, ver-me-ia com sérias dificuldades financeiras devido à excessiva frequência com que me ocorre.
Mas grave mesmo é quando me deparo com uma situação de 2 em 1. Ou seja: o veículo que está estacionado no lugar reservado a deficientes pertence à GNR ou à PSP e, como se não bastasse ocupar um lugar, está estacionado de forma a ocupar dois. Nestes casos tenho de fazer um esforço enorme para raciocinar e manter-me calada pois apetece-me dizer aos senhores agentes que têm de fazer uma revisão do código da estrada, que para ficar de porta aberta a relaxar antes de partir à caça de mais umas multas podiam fazê-lo num outro lugar e deixar aqueles para quem, de facto, possa precisar, que um pouco de civismo é fundamental e que deveriam ter um comportamento que pudesse servir de exemplo, pois só assim poderão, realmente, merecer o respeito e a designação de agentes da autoridade.
Mas tenho de me manter calada, sob pena de ser acusada de desacato à autoridade, e a sensação de injustiça e impotência que essa imposição me provoca tem a capacidade de me estragar o dia.




segunda-feira, 18 de junho de 2007

Bom dia a si e ao vasto auditório


Por vezes ouço os fóruns matinais da TSF ou Antena 1. Creio que também os há noutras estações de rádio e não sei se ainda continua o da SIC Notícias… Provavelmente existirá esse e outros que desconheço. Li em tempos que era moda que se tinha espalhado facilmente pois os portugueses tinham aderido com bastante entusiasmo. Assim será, de facto.
Ouvir estes fóruns desperta-me vários sentimentos que vão desde o divertimento à irritação, passando por vezes pela admiração ou indignação. Continuo a surpreender-me quando escuto pessoas que fazem questão de ser ouvidas durante alguns minutos por um número, que suponho, elevado de ouvintes mas que não acrescentam absolutamente nada ao tema que está a ser discutido. Parece que o fazem pela simples, e nada modesta, razão de gostarem de se ouvir. Quase fico intimidada com os que se exaltam e começam a gritar nervosamente relatando situações pessoais ou proferindo insultos. Há os que escrevem previamente um texto que passam a ler, com maior ou menor expressividade, ou os que parecem ansiosos para mostrar as suas qualidades poéticas e escrevem o dito texto em verso, o que pretenderá certamente fazer jus ao nosso pequeno país de poetas. Também os há que exprimem a opinião, que mais não é do que uma opinião entre outras, como se se tratasse de uma verdade inquestionável. Ou os que querem parecer detentores de um qualquer segredo que não podem revelar, mas eles lá sabem e podem garantir que estão em posse de factos inegáveis. Há os que ficam eufóricos porque estão na rádio e só depois de muitas chamadas de atenção assentem, contrariados, a desligar o aparelho radiofónico lá de casa onde se escutavam deliciados enquanto dissertavam sobre o tema em discussão nessa manhã ou outro qualquer de há dois programas ou duas semanas… que importa?
Não nego que há intervenções pertinentes e esclarecedoras ou que simplesmente pretendem transmitir opiniões fundamentadas mas apresentando-as apenas como aquilo que são: opiniões.
No entanto, o que me fica quase sempre que escuto um destes fóruns é o espanto perante a existência de tantos génios que se mantêm escondidos e inactivos, tendo em contas os nossos baixos índices de produtividade, e que apenas despertam nestas manhãs de discussão pública aparecendo cheios de dinamismo, inteligência e ideias brilhantes para depois voltarem a hibernar até que consigam novamente ter uns minutos de antena para falarem, directamente, ao vasto auditório.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

O tempo que não passa…

É incrível que o tempo passe por nós sem que nos apercebamos e só reparemos que ele passou pela imagem que recebemos dos outros.
Lembro-me que quando era criança ouvia muitas vezes a minha avó, com idade já bastante avançada, afirmar “Aquela rapariga é da minha idade” ou “Há muito tempo que não via aquele rapaz”. Eu procurava-os com o olhar e surpreendia-me ao constatar que a rapariga ou o rapaz eram uma senhora ou um senhor com uma respeitável cabeleira branca, ou a ausência dela, e que tinha no rosto as marcas deixadas pelas experiências da vida.
Mais tarde, observei que também os meus pais se referiam da mesma forma a pessoas que, não tendo ainda uma idade tão avançada, também estavam longe de ser o que eu considerava um rapaz ou uma rapariga. Para mim era muito estranho que eles não compreendessem que as pessoas a quem se referiam eram adultos! Eram os pais dos meus amigos e colegas da escola e esses sim eram rapazes e raparigas… como eu!
Continuo a surpreender-me, mas já não com estes comentários, que pelo menos à minha avó não terei oportunidade de voltar a ouvir. Agora surpreendo-me quando encontro rapazes e raparigas que foram meus colegas e verifico que dos meninos que eu conheci não restou nada além da cor dos olhos, do cabelo e algum gesto ou expressão. Agora são independentes, trabalham, formaram as suas famílias e muitos têm filhos. Os rapazes e as raparigas que brincavam comigo ou faziam tropelias na escola, agora são o bancário, o enfermeiro, o dono do café, o vendedor, o professor, o polícia, o advogado, o desempregado, o dentista, o mecânico ou o psicólogo…
Colocaram de lado a bola, as bonecas e os carrinhos. Já não usam mochila e quando compram cadernos, lápis e borrachas são para os filhos e interessam-se pelo preço. Já não correm na rua ou quando o fazem não se divertem, fazem-no com um ar comprometido ou furioso e é apenas para não chegar tarde ao emprego ou para não perder o autocarro.
Se me ocorre, em alguma circunstância, ser atendida por algum deles que não me reconhece trata-me por “senhora” e já não me tentam subornar para que os ajude nos testes em troca de lápis de colorir ou de uma pedra de forma irregular. Também já não discutimos para decidir quem tem o pai mais forte, o irmão mais chato ou a professora mais bonita.
Sabem o valor do défice, o preço da gasolina e o valor da prestação da casa mas não sabem o nome de todas as bonecas, quantos carros vermelhos passaram na rua na última meia hora nem quantos tinham matrículas com capicuas. Já não dizem ser o Homem-Aranha, a Super-Mulher ou o Batman. Alguns até esqueceram tudo o que queriam ser de tão ocupados que estão e se alguém lhes lembrar, provavelmente, vão dizer que é um disparate, uma idiotice de quem não cresceu e vive preso a recordações de infância.
Ganharam idade, ganharam poder, há quem diga que ganharam juízo. Tomam decisões, resolvem problemas, dão ordens fundamentadas por vezes, outras vezes apenas “porque sim” ou “porque não” como as que detestavam receber quando eram crianças. Alguns aprenderam técnicas infalíveis na arte de negociar ou seduzir e têm sucesso numa ou em ambas. Mas perderam a capacidade de se encantarem com uma gota teimosa que entra pela janela mal calafetada, com as poças de água nos dias de chuva ou com a lagarta verde que se passeia vagarosamente na folha de couve.
Também eu cresci. Também eu não sou a menina que era… Somos todos adultos, mas para mim são, e continuarão a ser, o rapaz ou a rapariga que brincava no recreio ou no jardim. E, mesmo com o actual cabelo grisalho de alguns e com o futuro cabelo branco e movimento condicionado de todos, vê-los-ei sempre com um sorriso no olhar, a brincar e a correr pela vida fora.